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Forum Home > Lacrimosa e Noticias > Entrevistas (2004 - 2009)

Karina Bruschi Pinotti
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O duo Lacrimosa tornou-se rapidamente uma febre na Europa e em vários cantos do mundo. Fazendo um som que transita entre vários estilos, com extrema personalidade, Tilo Wolff e Anne Nurmmi criaram rapidamente uma legião de fãs, que admiram a complexidade do som da banda e principalmente o contexto lírico dos cd's. Recentemente a banda laçou "Echos", um cd que flerta com o erudito, gótico e pop em alguns momentos, resultando numa sonoridade muito particular. Prestes a desembarcar no Brasil para apenas um show (dia 28 de Julho no Olympia em São Paulo), mas com três shows agendados no México (e com lotação esgotada!), batemos um papo com Tilo, que se mostrou simpático e atencioso. Agradeço a todos os fãs que enviaram perguntas, a maioria utilizada na entrevista, mas uma pane no computador me fez perder os créditos das perguntas. Por isso peço a todos que enviaram perguntas que se expressem no fórum ou via email, para que eu possa inserir seus nomes em cada pergunta. No mais, confiram o papo interessantíssimo que tivemos com Mr. Wolff.


Whiplash! - Olá Tilo. Vamos começar falando do início dos anos 90, quando você começou o Lacrimosa. Conte um pouco da história da banda. O palhaço (marca registrada) teria alguma conexão com as obras de Mozart?

Tilo Wolff / Olá. Na verdade Lacrimosa começou como um projeto sem compromissos. Juntei alguns conhecidos e gravamos uma demo, incialmente apenas para espalharmos entre nós mesmos. Mas a mesma acabou tendo uma recepção bem maior do que eu esperava, o que foi bom. Sobre a conexão com Mozart, concordo com a afirmação. Não só Mozart como vários compositores clássicos me inspiraram, e o palhaço surgiu nessas inspirações. O nome Lacrimosa veio para expressar a música e os sentimentos em forma de nome, e o palhaço acabou sendo a melhor expressão disso tudo.


Whiplash! - Você optou por começar o seu próprio selo (o Hall of Sermon), ao invés de tentar contrato com uma gravadora. O que o motivou a partir para a independência total?

Tilo Wolff / Recebi alguns contatos de gravadoras, que não chegaram a implicar com a música. Mas eu mesmo queria ter liberdade. Não queria um chefe, ou alguém me dizendo o que fazer, com prazos, crongramas e coisas do tipo. Não vejo a música como objeto comercial, e com meu próprio selo tive a liberdade e o espaço que desejava para me expressar livremente.


Whiplash! - Você demonstra uma forte inclinação para obras conceituais. Já pensou em escrever um livro ou até mesmo musicar um filme, ou fazer um filme completo.

Tilo Wolff / Já pensei em tudo isso e mais um pouco (risos). Só que me falta tempo. O Lacrimosa é minha prioridade, e estou 100% concentrado nele. Tenho um livro de poemas escrito, e realmente gostaria de me envolver com filmes. O que me falta é o tempo, mas devo confessar que sobram idéias e planos. Quem sabe no futuro.


Whiplash! - Qual seriam suas principais fontes de inspiração como compositor e letrista?

Tilo Wolff / Atualmente procuro me inspirar em mim mesmo, no que vivo. O Lacrimosa expressa muito de mim, é como se fosse minha biografia em forma de música. Mas sou um observador, e não descarto escrever algo de experiências que observo no decorrer da história. Procuro manter a mente aberta, é o que faço.


Whiplash! - Muitos fãs e boa parte da imprensa rotulam o Lacrimosa como uma banda gótica, embora a sonoridade seja bem mais complexa. O que você poderia dizer sobre isso?

Tilo Wolff / É engraçado (risos). De fato parece gótico, mas os rótulos não me interessam. O Lacrimosa é a inspiração de sentimentos, sem ter vínculo com estilos musicais. De fato a imagem e fotos podem sugerir que somos góticos, mas nem sempre exploramos esse estilo a fundo. É algo mais profundo. Mas não me importo com isso.

 


Whiplash! - Você inicialmente começou como vocalista único, mas acabou chamando Anne para auxiliá-lo. Como se deu essa entrada de uma pessoa nova no seu projeto, e como você lidou com o fato de ter outra pessoa trabalhando com você, vindo com novas idéias?

Tilo Wolff / Comecei sózinho, mas sempre quis ter uma vocalista para dividir as vozes comigo. Não me sentia bem cantando sózinho. Eu vi Anne cantando ao vivo e senti que seu jeito de se expressar no palco combinava muito com o meu. Claro que tê-la na banda como parte criativa foi um choque para mim, mas a medida que via que a banda estava completa e que o que eu imaginei para o Lacrimosa estava se concretizando, foi fácil aceitar Anne. Não ligamos para o fato de muitos citarem o começo da banda, quando eu cantava sózinho, porque Anne se sente confortável com a banda. É um caso semelhante ao do Pink Floyd (conversávamos sobre isso há alguns dias). Hoje o pessoal curte a banda com Gimour no vocal, mas esquecem que o cérebro daquilo tudo foi Syd Barret. Não quero que o pessoal esqueça de que comecei a banda, mas Anne é agora parte fundamental do Lacrimosa.


Whiplash! - Alguns fãs comparam o seu trabalho com o trabalho do Cirque Du Solei. O que você acha disso?

Tilo Wolff / Não vejo muitas semelhanças. Pode haver uma conexão, mas não acho que seja algo relevante.


Whiplash! - Você usa orquestras em seus cd's, como em "Elodia" e "Echos". Já pensou em fazer um show com uma orquestra completa?

Tilo Wolff / Já pensei, e fizemos em ocasiões particulares. Mas para fazer um show completo com tudo o que é necessário para a reprodução da sonoridade dos cd's precisaríamos de uma orquestra completa, o que resultaria num custo altíssimo. Mas pensamos sim em fazer uma turnê com esse esquema.


Whiplash! - Com "Inferno" e "Stille" você flertou com a agressividade do heavy metal. Como foi a reação dos fãs, principalmente os mais antigos.

Tilo Wolff / Legal falar sobre isso, porque nunca pensei em usar heavy metal. Sempre gostei de heavy metal, como Black Sabbath, e sempre me influenciei pelo lado "Dark" e clássico do heavy. As opiniões foram diversas, mas eu entendo perfeitamente, pois a fusão da força do heavy com a harmonia do clássico é muito difícil. Não acho que seja anormal que ocorra, mas exige muito trabalho.


Whiplash! - Rapidamente, como você definiria o estilo do Lacrimosa?

Tilo Wolff / Uma combinação de metal, clássico e gótico, mas aberto a vários estilos.


Whiplash! - Todas as capas do Lacrimosa adotam o preto e branco e suas tonalidades. E indo mais a fundo, podemos afirmar que cada uma conta parte de uma história. Você concorda com isso?

Tilo Wolff / Definitivamente. As capas são expressões das emoções de cada álbum, e o Lacrimosa é uma banda que expressa emoções e sentimentos musicados. As pinturas surgem durante o processo de mixagem, principalemente quando já tenho a temática dos álbuns em mente. Não ligo muito para as cores, mas sim para a química entre a capa e as letras. Uso o preto e o branco mais para um contraste da luz com a escuridão, mas isso não é regra, embora tenha ocorrido em todos os cd's (risos).


Whiplash! - "Copycat", um de seus maiores "hits", é dita como uma música gótica. Como você reage a isso?

Tilo Wolff / Como já disse antes, não me importo. O mais legal é que a música foi ouvida para que surgissem essas comparações, isso que é importante para mim.


Whiplash! - Em "Elodia" você voltou a usar orquestrações, e as composições seguiam uma linha bem melancólica. A orquestra foi usada para realçar essa melancolia?

Tilo Wolff / Sim. As letras nesse caso refletiam muitas situações complicadas que quis explorar. A temática pedia o uso de orquestras, e eu tinha muito material escrito com essa necessidade. O erudito é perfeito para expressão momentos mais "dark".

(Nessa hora somos avisados que faltavam apenas 3 minutos, o que forçou a remoção de várias perguntas. Optamos por ir direto para a turnê sul-americana)


Whiplash! - A turnê sul-americana surgiu num momento quase que improvável, porque vocês já tinham fechado a divulgação do "Echos". O que os motivou a marcar estes shows?

Tilo Wolff / Os fãs. Principalmente os mexicanos. Recebemos muitos pedidos pela internet. Os fãs brasileiros entupiram minha caixa postal, e em conversas com amigos de outras bandas, ficamos muito tentados. Além da turnê faremos um show na Europa e nada mais. Mas voltaremos para a próxima turnê, assim que lançarmos o sucessor de "Echos".


Whiplash! - O que os fãs brasileiros podem esperar do Lacrimosa? Há algo que você queira comentar sobre os shows?

Tilo Wolff / Não sei nem o que esperar (risos). Sei que queremos fazer um show especial, com material do "Echos" mas também fazendo uma retrospectiva de nossa carreira, com músicas que não tocamos usualmente. Será um grande show. Estou muito feliz de tocar na América do Sul, e no Brasil. Sei que os fãs nos pedem isso há anos e anos, e não quero, não posso e não vou decepcioná-los.


Whiplash! - Tilo, muito obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs que acessam o site WHIPLASH!, e que aguardam ansiosamente para ver o Lacrimosa ao vivo.

Tilo Wolff / Muito obrigado pela paciência, lealdade e carinho. Estamos muito, mas muito felizes com essa chance. E acreditem: este é apenas o primeiro show do Lacrimosa, aguardem que outros virão. Eu prometo.

 

 

Fonte: Lacrimosa - Entrevista (02/06/2004) exclusiva com Tilo Wolff whiplash.net/materias/entrevistas/001508-lacrimosa.html#ixzz3LOPbyZLv

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

December 13, 2014 at 4:53 PM Flag Quote & Reply

Karina Bruschi Pinotti
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Na entrevista abaixo realizada em 2004, Tilo Wolff conta aos leitores do Rock Online de onde vem suas inspirações, fala sobre seu método de composição e a expectativa da vinda para o Brasil.

- Como foi escolhido o nome Lacrimosa para a banda?

Tilo Wolff: Quando fiz a capa de minha primeira fita demo, 1990, eu tinha que arranjar um nome para o meu projeto. Como eu não tinha idéia de que iria produzir futuros álbuns ou mesmo lançar álbuns algum dia, eu simplesmente pensei no meu compositor favorito, W. A. Mozart, em sua obra, “Requiem” e sua bela composição, “Lacrimosa”, que eram minha maior fonte de inspiração naquela época.

- E quanto ao logo tipo com o palhaço?

Tilo Wolff: Para visualizar as emoções e sentimentos que eu queria passar com minha música eu procurei algo que fosse simples porém forte. Aí veio a idéia do arlequim [N do T: mesmo que palhaço], inspirado no maravilhoso trabalho do Charles Chaplin.

- O Lacrimosa tem uma música realmente poderosa, emocional, obscura e melancólica. Que bandas podem ser consideradas inspiração para compor?

Tilo Wolff: Como músico o que me inspira são os grandes compositores como Mozart, Vivaldi. Mas também cito bandas como o Bauhaus, Joy Division e Hazel O’Connor. Este tipo de música me toca profundamente.

- Para que os fãs conheçam um pouco mais sobre o compositor e o homem por trás do Lacrimosa... O que você tem ouvido ultimamente, por exemplo, qual o último CD que ouviu?

Tilo Wolff: O último CD no meu som foi, à duas noites atrás, “The pros and cons of hitch hiking” do Roger Waters, um dos meus músicos e compositores favoritos.

- E sobre filmes e livros, poderia citar seus favoritos?

Tilo Wolff: Assim como eu ouço diferentes estilos de música, também gosto de diversos tipos de filmes. Por exemplo gosto de filmes de ação, de terror e românticos. Alguns dos meus favoritos são “Luzes da Ribalta” do Charles Chaplin, “Barry Lyndon” do Stanley Kubrick, aliás adoro todos os filmes dele, e “A Estrada Perdida” do David Lynch. Adoro assistir filmes mas infelizmente tenho pouco tempo para ler. Mas quando tenho tempo, gosto de ler Franz Kafka ou Ernest Hemingway.

- Você já está pensando em um novo álbum?

Tilo Wolff: Estou trabalhando em novas canções já que estou constantemente compondo, mas até agora não pensei em um novo álbum. Estive muito ocupado nesses últimos meses... em breve vocês terão mais notícias!

- Sobre o método de composição do Lacrimosa, a banda participa deste processo de alguma forma? Como isso é feito?

Tilo Wolff: Não há banda como se costuma pensar já que o Lacrimosa é uma visão das almas de Anne Nurmi e a minha. Se houvesse um processo de criação com toda a banda, o Lacrimosa poderia ser uma banda até melhor mas não seria tão pura como é!

A composição começa, normalmente quando eu escrevo uma letra e se eu tenho a inspiração, essa letra pode precisar de outra dimensão. Eu sento ao meu piano e começo a escrever a música e os arranjos. Depois eu gravo uma demo e começo a pensar quais músicos se encaixariam para tocá-la, e também para tocar as composições de Anne.

- Quanto aos planos para lançar um DVD…

Tilo Wolff: Sim, tenho planos... espere e verá!

- O Lacrimosa tem algumas canções em inglês, algumas em alemão e outras em finlandês. Por que você escreve em diferentes línguas? As letras em inglês não podem alcançar um público maior, já que a língua é mais conhecida mesmo em países que não a tem como língua oficial?

Tilo Wolff: Bem, não é uma questão de qual língua pode atingir um público maior. A questão é: de qual língua a música precisa. Algumas coisas eu só consigo expressar em uma lingua variada como o alemão e outras eu posso usar uma língua mais direta como o inglês. E como a Anne é finlandesa, ela prefere escrever algumas canções em sua língua natal.

- Nas músicas do Lacrimosa você fala basicamente de suas emoções. De que forma você acha que essas letras afetam os fãs?

Tilo Wolff: Eu descobri que algumas pessoas começaram a refletir mais sobre sua vida interior (introspecção) depois de ouvir o Lacrimosa. Alguns se inspiram e se abrem com maior facilidade. Parece que o Lacrimosa ajuda com que sintonizem e conheçam seus sentimentos. É claro que muitos ouvem o Lacrimosa apenas por diversão. De qualquer forma eu espero que as letras não sejam a única coisa que as pessoas gostem no Lacrimosa.

- Existe alguma canção do lacrimosa que tenha um significado especial ou represente algum momento especial da sua vida?

Tilo Wolff: Veja, todas as canções são uma parte de mim e todas tem um sentido especial para mim. Eu não escrevo canções apenas para completar o número de músicas de um álbum.

- Com todos esses conflitos pelo mundo você sente alguma responsabilidade em transmitir algo politizado através de sua música?

Tilo Wolff: Isso é algo muito perigoso. Só porque existem pessoas ouvindo minha música eu não tenho o direito de lhes dizer o que é certo ou errado já que não sou melhor ou mais inteligente do que ninguém. Mas é claro que existem algumas coisas acontecendo pelo mundo afora que me magoam e é claro que eu falo e canto sobre elas.

- Ouvimos dizer que vocês estão planejando uma apresentação no Brasil.. É verdade? Alguma novidade para nos contar?

Tilo Wolff: Eu espero que sim. Queremos muito tocar no Brasil e estamos conversando para marcar uns shows por aí, em julho. Não sei se vai dar certo. Infelizmente não posso confirmar se vamos ou não para o Brasil este ano. Mas, cedo ou tarde iremos para seu país. [N do R: foi confirmada a apresentação do Lacrimosa na cidade de São Paulo no dia 28/07/2004.]

- Quanto a outros planos para o futuro...

Tilo Wolff: Não gosto de falar de planos futuros...

- Comentários finais? Muito obrigrado pela entrevista, esperamos que o Lacrimosa venha ao Brasil em breve...

Tilo Wolff: Eu quero agradecer à nossa audiência no Brasil que nos apoia de modo tão entusiástico e também queria agradecer ao Lou Wolff, que criou nosso primeiro fã clube brasileiro (www.lacrimosa.brasil.nom.br

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

December 13, 2014 at 5:00 PM Flag Quote & Reply

Karina Bruschi Pinotti
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Entrevista concedida por Tilo Wolff

À Gothic Castle

O SnakeSkin é um projeto solo Industrial do vocalista do Lacrimosa, Tilo Wolff. Formado em 2004, o SnakeSkin tem como registro o álbum oficial, chamado “Music For The Lost”, lançado e distribuído pelo seu selo particular Hall Of Sermon. O Gothic Castle entrou em contato com Tilo Wolff (Lacrimosa – SnakeSkin) e ele nos concebeu esta entrevista exclusiva. Aqui segue a entrevista... Confira!

Gothic Castle – Qual foi o projeto inicial quando formou o SnakeSkin?

Tilo Wolff - Eu precisei expressar determinados sentimentos que eu não quis expressar da mesma maneira que eu faço para o Lacrimosa! Também tive esta idéia particular de produzir um álbum de uma forma especial que não caberia dentro da história do Lacrimosa. Conseqüentemente eu tive que criar um projeto à parte.

GC – Há pouco mais de um ano foi lançado o álbum “Music For The Lost”. Este álbum foi um projeto experimental, ou você, Tilo Wolf, pretende dar continuidade ao SnakeSkin?

TW- Ambos! SnakeSkin é um projeto experimental e eu continuarei com a experiência, apenas da mesma forma que fiz com o Lacrimosa, que é e sempre foi um experimento também, porque tudo que não é planejado é um tipo de experiência.

GC – Esta está sendo uma banda paralela ao Lacrimosa, certamente. Há alguma implicação em conciliar as duas bandas?

TW – Dentro do Lacrimosa e posso fazer quase tudo que eu quero, porque nunca me preocupei com estilos de música. Eu lembro que todos me chamaram de louco quando comecei a combinar Gothic com Metal nos anos 90. Agora eles o chamam de Gothic-Metal e se tornou uma tendência. E quando eu quero fazer algo distante do Lacrimosa, onde as letras não precisam ser o foco principal, eu escrevo para o SnakeSkin no futuro. Veja, ambas as bandas possuem as mesmas raízes que são minhas próprias emoções, mas o modo de expressar aqueles sentimentos é diferente.

GC – O Lacrimosa possui um público específico. Você acha que os fãs do Lacrimosa aprovaram a criação do SnakeSkin?

TW – Não, muitas pessoas que ouvem Lacrimosa não estão muito no meio Industrial e é outra maneira de pensar. Apenas aqueles, que ouvem a música com seus corações e não com seus cérebros poderão apreciar ambas as bandas.

GC – O SnakeSkin possui um estilo, denominado Industrial, e que é algo totalmente diferente do estilo adotado pelo Lacrimosa. Esta foi uma forma de atingir um público mais distinto?

TW - Não, de modo algum. Eu não penso sobre as audiências enquanto fazemos a música. Se eu fizesse assim, eu faria música mais popular para o Lacrimosa e SnakeSkin. Eu apenas faço o que eu sinto que tenho que fazer. É muito simples!

GC – Você fundou o selo Hall Of Sermon. Este selo foi criado apenas para o SnakeSkin e o Lacrimosa ou pretende lançar outras bandas? Afinal, qual seria a prioridade do selo?

TW – Hall Of Sermon começou para fora como um selo independente para o Lacrimosa. Então mais tarde nos anos 90, eu comecei a assinar também com outras bandas, como Love Like Blood, Girls Under Glass, Dreams Of Sanity e algumas mais, como pode ser visto em www.hall-of-sermon.de, mas quando o selo ficou cada vez maior e maior eu pensei, que este começo no negócio da música me mataria e então eu retornei às minhas raízes reduzindo a Hall Of Sermon a ser um selo que apenas lançaria minhas próprias músicas e a permanecer pequena e independente.

GC – Como você definiria o SnakeSkin?

TW – É uma aventura musical através da minha metade negra e separada que conhece clichês e vive através do impacto de uma expressão incômoda.

GC – Para finalizar, quais são os projetos que você preparou para o futuro do SnakeSkin?

TW – Eu ainda não parei pra pensar sobre o futuro do SnakeSkin enquanto eu estiver muito ocupado com o Lacrimosa nestes dias, mas eu estou olhando muito a frente procurando algo para a próxima viajem dentro do mundo do SnakeSkin. Como sempre o destino saberá como!

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

December 13, 2014 at 5:03 PM Flag Quote & Reply

Karina Bruschi Pinotti
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Entrevista feita pela revista Roadie Crew ao Lacrimosa em 2004, um mês antes do 1º show aqui no Brasil em julho de 2004 no Olympia.

Essa entrevista foi fornecida por nossa Coordenadora Geral Yasmin Amarante

Roadie Crew: Em julho a banda se apresentará pela primeira vez no Brasil. O que você sabe a respeito do país?

Tilo: Eu sei que o Brasil é o campeão mundial supremo de futebol! (risos) É claro que também sei sobre o carnaval que vocês têm aí, como as pessoas são empolgadas e existe uma banda brasileira que gosto muito, o Sepultura. Além disso, muitas bandas me contaram que tocar no Brasil é algo maravilhoso, estou muito ansioso para conhecer o seu país e os fãs que temos aí.

Roadie Crew:Como não houve turnê para o Echos, esta será a primeira vez que a banda tocará as músicas deste álbum ao vivo. Como estão as expectativas em torno disso e o que podemos esperar do set list aqui no Brasil?

Tilo: É verdade, será a primeira vez que tocaremos as músicas do Echos ao vivo. Para o Brasil, como tocaremos pela primeira vez no país , cirei um set list que mostra um pouco de todos os nossos álbuns , será algo como um "best of show". Acho que será algo muito interessante e combinará as músicas antigas com as novas do Echos...Estou muito empolgado, pois este mais recente possui músicas como Apart e Durch Nacht und Flut, que são maravilhosas e acho que funcionarão muito bem ao vivo.

Roadie Crew: Em 2003 foi lançado o excelente álbum Echos. Como foi a repercussão mundial para este trabalho?

Tilo: Foi bem variada. A maioria das reações foi bem positiva e as pessoas gostaram muito do álbum, porém também houveram um pontos de vista negativos, pois alguns acharam o material complicado demais e um tanto devagar como um todo. Mas acho que você nunca consegue agradar a todos, quando lançamos um álbum, alguns não gostam porque tem muitas guitarras e, dependendo do caso, outros criticam por usarmos em demasia instrumentos da Música Clássica! (risos) Isso faz parte da realidade de uma musicalidade singular como a do Lacrimosa, é impossível agradar a todos.

Roadie Crew: O Echos foi mais bem sucedido que os álbuns anteriores?

Tilo: Eu não posso responder esta pergunta com exatidão, pois ainda não tive conhecimento da vendagem de todas as companhias que licenciaram o álbum em diferentes países, mas acho que o número final ficará no mesmo patamar dos últimos álbuns.

Roadie Crew: O Lacrimosa não fez nenhum show para promover o Echos e a banda se encontra há quase três anos longe dos palcos. Por que vocês decidiram ficar tanto tempo sem fazer shows?

Tilo: (risos) Nós estávamos em uma rotina constante variando entre turnês e gravação em estúdio desde 1989... Sempre estávamos gravando, compondo ou tocando ao vivo. Eu queria que esta pausa acontecesse logo depois da turnê do Fassade, mas acabei compondo o álbum Echos de forma não planejada, mas decidi assim por causa da facilidade como tudo estava fluindo. Então gravamos e lançamos o Echos e eu disse: "desta vez não tem como, vamos dar uma pausa". Se a coisa não fosse feita dessa forma, acabaria não acontecendo e naquela época não conseguiríamos dar 100% de nós mesmos em nossos shows, a força não seria a mesma. Precisávamos recarregar as baterias para voltar a tocar! Mas acabou que esta pausa não foi plena, pois tive que fazer coisas que eu estava adiando há muito tempo, além de continuar compondo e trabalhando com e para a música. Não foi bem uma pausa, mas de qualquer forma funcionou: agora, quando subirmos em um palco, não haverá mais aquele medo de se tornar algo maçante para nós.

Roadie Crew: Como funcionará o show no Brasil? Vocês planejam tocar as músicas juntamente com samplers ou planejam algo especial?

Tilo: Eu não gosto de copiar o que fizemos no álbum ao vivo, pois teríamos que colocar um CD Player no palco e apenas acompanhá-lo. Sempre tentamos em nossos shows refletir as músicas do Lacrimosa a partir de um ponto de vista diferente. Ao vivo somos mais uma banda de Rock que nos álbuns...É claro que não teremos uma orquestra real conosco, pois seria impossível improvisar no palco desta forma, perderíamos o feeling e tocaríamos apenas o que ensaiamos, o que está escrito na partitura. O público me inspira a improvisar e não teria como uma orquestra seguir um improviso de maneira eficaz. Mas, de qualquer forma, Anne Nurmi toca as partes orquestradas mais importantes no teclado. Acho que os brasileiros vão gostar muito do nosso show!

Roadie Crew: Além do Brasil, o Lacrimosa tocará no Chile e México, e esta não será a primeira vez que vocês tocarão na Cidade do México, já que possuem uma grande audiência por lá. Como está a repercussão da banda no México?

Tilo: É maravilhosa, inacreditável! Desta vez faremos três shows na Cidade do México e ontem fiquei sabendo que os ingressos já estavam praticamente esgotados por lá. Os fãs mexicanos são loucos pelo Lacrimosa e para nós isso é praticamente um milagre, pois cantamos a maioria das músicas em alemão e temos um estilo sonoro muito particular. É demais que no outro lado do mundo tenham fãs tão entusiasmados pelo Lacrimosa, e isso é apenas sobre os mexicanos, mas também incluo os fãs brasileiros no que eu estou dizendo...É maravilhoso!

Roadie Crew: Que bandas Góticas do passado e do presente você aprecia?

Tilo: A maioria delas são do passado! (risos) Gosto muito de bandas como Bauhaus, Joy Division, entre outros da cena durante a década de 80. Não conheço muitas bandas Góticas atuais que sejam interessantes para mim, pois estou mais interessado em Rock mais direto, com muitas guitarras e hoje em dia tudo tende muito para um lado mais eletrônico, o que não é muito o meu gosto. Eu até acho algumas coisas eletrônicas interessantes, mas são poucas. Eu tenho ouvido bandas atuais mais voltadas para o Pop, como Alanis Morrissete ou Placebo, que não são exatamente Góticas mas que possuem elementos do estilo na sonoridade.

Roadie Crew: Depois de deixar o continente americano, a banda voltará para a Alemanha,onde se apresentará no "M'era Luna Festival", um dos maiores eventos do mundo voltado para a música Gótica. Como estão as expectativas para o "M'era Luna"?

Tilo: Bem, seremos os headliners do segundo dia do festival, mas não sei bem o que esperar...Até hoje, as nossas participações em festivais sempre ocorreram no primeiro die de cada evento, e dessa vez seremos a banda principal do último dia. Espero que as pessoas ainda estejam empolgadas o suficiente para nos ver (risos). Festivais assim são cansativos, com muitas bandas, e no final as pessoas não têm mais tanta empolgação. Mas acho que será muito especial...Shows em locais abertos são muito diferentes dos realizados em casas fechadas, gosto dos dois. Em locais fechados você está tocando mais para o seu público e tem como contagiá-los de uma forma mais fácil, pode abrir o seu coração para as pessoas e sentir que elas fazem o mesmo para você. Já em um festival o contato não é tão estreito e existem muitas pessoas, é algo muito intenso. Mas a atmosfera de um festival é muito especial, ainda mais de algo tão grandioso como o "M'era Luna". Fiquei sabendo que os organizadores estavam decidindo entre o Lacrimosa e o The Cure para encerrar a segunda noite

e nos escolheram. Estamos muito ansiosos para este show, ainda mais porque não teremos muito tempo para fazer uma extensa turnê durante o verão europeu. Pelo menos teremos esta chance de fazer um grande show isolado ou tocado em um festival menos. Não faremos muitos shows além desses durante o ano.

Roadie Crew: Neste festival vocês tocaram ao lado de bandas como Tristania, Within Temptation, Therion e muitos outros. Você concorda quando as pessoas classificam o Lacrimosa como Gothic?

Tilo: Bem, por que não? Para ser sincero, eu não ligo muito para isso. Se as pessoas querem chamar o Lacrimosa de Gothic ou Metal por terem reconhecido esses elementos em nossa música, não tem problema. Para mim a musicalidade do Lacrimosa é algo bem pessoal, mas é claro que eu vim da cena Gótica e sou muito influenciado por este estilo e também pelo Metal. Durante nossa vida temos tantos rótulos, então não me importo como as pessoas denominam o Lacrimosa. Eu só não gosto quando as pessoas nos denominam como um estilo e sempre esperam que ajamos daquela forma, acho que este lado é errado.

Roadie Crew: De toda a discografia do Lacrimosa, acho que o álbum Elodia é um dos mais aclamados pelos fãs brasileiros. Vocês têm a intenção de incluir muitas músicas deste álbum no set list?

Tilo: Eu não quero dizer muito para não estragar a surpresa, mas com certeza tocaremos certas músicas deste álbum.

Roadie Crew: Sobre os planos futuros, ouvi dizer que a banda está pensando em lançar um DVD com todos os videoclipes que gravaram até hoje. Você poderia nos contar alguns detalhes a respeito deste material?

Tilo: Como você sabe disso? Falamos para poucas pessoas a respeito! (risos). Este é um plano que temos desde o ano passado, mas temos que achar a hora certa para fazer isso, pois ainda existem dois videoclipes que eu quero gravar para o material. Eu queria que este material fosse lançado próximo a um novo single, e é provável que isso só aconteça no próximo ano. O que planejamos é incluir no DVD todos os videoclipes que fiemos até agora e mais algumas novidades.

Roadie Crew: E existem planos de gravar algumas cenas de shows para o DVD ou novo álbum ao vivo?

Tilo: Ainda não. Eu gostaria de gravar alguns shows no futuro, mas nada de imediato.

Roadie Crew: Durante o período que ficou fora dos palcos, você começou a trabalhar em novas composições. Você pode revelar detalhes sobre elas e o planejamento do novo álbum de estúdio?

Tilo: Sim, eu compus bastante nos últimos tempos e estou muito satisfeito com os resultados obtidos até agora. Mas é meio difícil dizer algo sobre a sonoridade no atual patamar, pois tudo ainda está muito cru. Como as composições ainda não estão finalizadas, são passíveis de mudanças. Porém adianto que, se tudo continuar de forma que está indo, o material será mais pesado e complexo que o álbum anterior. Mas como eu disse, ainda não estou 100% certo disso, algumas músicas ainda estão apenas na minha cabeça. Acho que daqui a um tempo consigo dizer algo mais concreto para você! (risos).

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

December 13, 2014 at 5:04 PM Flag Quote & Reply

Karina Bruschi Pinotti
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Entrevista feita em junho de 2005 pela revista Roadie Crew, um ano depois do primeiro show em São Paulo no Olympia.

Essa entrevista foi fornecida por nossa Coordenadora Geral Yasmin Amarante

Roadie Crew: No ano passado a banda visitou pela primeira vez os fãs brasileiros. Eu estava presente naquele show e tudo correu de forma fantástica. Quais são as suas melhores memórias o Brasil?

Tilo Wolff: As lembranças são muitas! Me diverti muito quando tivemos uma sessão de autógrafos com os membros do nosso fã-clube brasileiro, pois fomos tratados de uma maneira esplêndida. Também tenho ótimas lembranças do show em si, do sentimento de tocar em frente de uma platéia tão entusiasmada com o Lacrimosa. Foi a primeira vez que tocamos no Brasil e o resultado foi maravilhoso!

Roadie Crew: O Lacrimosa usa a língua alemã na maior parte de suas músicas e, apesar de traduções para o inglês estarem sempre presentes nos encartes dos álbuns, a compreensão acaba não sendo perfeita para alguns fãs de países estrangeiros. Mesmo assim, acho que os fãs brasileiros estão entre os mais especiais para a banda Como você explicaria isso?

Tilo Wolff: Sim, como você disse as traduções das letras para o inglês sempre estão nos encartes, para que todos que comprarem os álbuns possam nos entender. Mas acho que o fato de sermos tão queridos no Brasil é algo fantástico. Algumas vezes as pessoas, inclusive do seu país, me dizem que não precisam entender as letras, pois a música fala por si só. Acho isso um grande elogio!

Roadie Crew: Em 2003 foi lançado o álbum Echos. Como você avalia a repercussão mundial para ele?

Tilo Wolff: Aquele foi, com certeza, um álbum atípico para o Lacrimosa e por essa razão foi muito interessante ver como as pessoas reagiam a ele. A repercussão não foi tão boa como, por exemplo, a que estamos tendo para o novo álbum. No caso do Echos, acho que 70% das pessoas com quem conversamos gostaram do material, já o restante teve algum problema com ele. Mas, por outro lado, muitos me disseram que o consideravam o melhor álbum que já lançamos. É sempre muito interessante ouvir essas opiniões diferentes.

Roadie Crew: No ano passado, você começou a escrever músicas para o novo álbum de estúdio da carreira do Lacrimosa, que também celebra os 15 anos de existência da banda. Conte-nos sobre o sentimento especial envolvendo a composição deste novo álbum.

Tilo Wolff: Eu tentei, depois de um álbum tão complexo como o Echos, me concentrar nos sentimentos e fatos básicos do Lacrimosa, o que significa que tive como foco o reflexo das letras. Eu não queria ouvir o álbum depois e perceber que as músicas eram excelentes, mas que não existiam ligações com as letras. Era muito importante para mim que neste novo álbum esta ligação estivesse mais forte que em qualquer outro que já lançamos. Outra coisa importante para mim foi fazer o projeto Snakeskin entre Echos e Lichtgestalt, pois pude dar um tempo do Lacrimosa, como se tirasse férias! (risos). Quando retornei, me senti completamente livre e relaxado para compor e pude estar muito mais concentrado nos sentimentos básicos que eu queria transportar para as músicas.

Roadie Crew: O título do álbum, que significa "figura luminosa", assim como as ilustrações da capa, como o típico palhaço do Lacrimosa tirando suas roupas e ganhando asas, e alguns nomes de músicas, como "The Party is Over" e "My Last Goodbye", dão ao ouvinte impressões de um renascimento ou um fim. Quais são as conexões entre esses elementos e a mensagem de Lichtgestalt?

Tilo Wolff: É mais um nascimento que um fim e a conexão é que Lichtgestalt fala sobre o amor e como isso foi refletido na minha vida até agora. É sobre a beleza e a dor que poder ser resultantes do amor. Também sobre uma pessoa que está amando, que naquele momento é uma figura luminosa, que brilha. Esta também pode ser a ligação com a capa...Veja bem, no meu caso, quando alguém está perguntando sobre Tilo Wolff, as respostas serão conectadas com o Lacrimosa, pois a maioria das pessoas me conhecem assim, mas não sabem dos outros lados que tenho. Sempre estive na sombra do arlequim que representa o Lacrimosa e, por outro lado, também sou a figura luminosa dele pois eu o fiz, o criei, e posso mudá-lo e dar-lhe asas, como agora. Se quiser, também posso matá-lo (risos).

Roadie Crew: Como foi a estrutura em estúdio e novos instrumentos explorados desta vez em Lichtgestalt?

Tilo Wolff: Novamente trabalhei com instrumentos da Era Barroca até a Clássica. Mas dessa vez trabalhei, como na faixa "My Last Goodbye", com um baixo "fretless", que é um instrumento típico do Jazz. Sempre quando componho, ao mesmo tempo já trabalho o arranjo das músicas, para que o resultado seja o mais puro possível e mais próximo da ideia original. Então, quando tenho uma certa melodia em mente, já sei qual instrumento deverá tocá-la. Depois de anos trabalhando orquestrações, você já pega uma certa prática e facilidade nisso...Por exemplo, sabe bem que certa melodia que funciona bem com uma trompa de pistões, pode não ser ideal para um violino ou violoncelo. Cada melodia pede um instrumentos próprio e, no final das contas, acabo tendo mais de trinta instrumentos diferentes no álbum (risos).

Roadie Crew: O álbum Lichtgestalt é, então o fim para o arlequim em seu tradicional formato nas ilustrações?

Tilo Wolff: Ainda não sei. Ele sempre estará lá, mas não sei qual será a sua aparência para o futuro. Ainda tenho que decidir isso.

Roadie Crew: Sobre a sonoridade do Lichtgestalt, ao meu ver ela mantém o estilo tradicional e único da banda, mas de uma maneira mais pesada, principalmente nos riffs de guitarra. O que você pensa a respeito?

Tilo Wolff: Eu concordo! Acho este álbum bastante áspero, pois não existe nada entre a música e a expressão que eu queria dar a ela. É um álbum sobre sentimentos puros e por isso é mais pesado, principalmente no que diz respeito a guitarras. E também, por outro lado, em músicas como "The Party is Over", possui momentos mais minimalistas e isso tudo faz do álbum algo muito dinâmico, que vem direto do coração e o atinge de forma direta. Isso só pode ser feito de forma pura e plena.

Roadie Crew: A faixa de abertura de Lichtgestalt, Sapphire, possui inicialmente uma atmosfera muito calma, dando lugar então, a riffs pesados e vocais agressivos. Ela me deu a impressão de que a viagem de navio apresentada na capa de Echos havia chegado ao fim e algo novo estava a vir. Qual é a mensagem dessa música e a opção de colocá-la como primeira no álbum?

Tilo Wolff: Você está absolutamente certo! Ela é a continuação da música que finaliza o Echos e serve para levar o ouvinte para dentro do novo álbum. O tema de Echos é a "procura" e a música Sapphire mostra o resultado dela, onde ela chegou: o amor. Sendo o amor o tema de Lichtgestalt, esta música de abertura é a conexão entre ambos os trabalhos. Se você olhar na ilustração da contra capa do álbum, ao lado esquerdo das roupas de palhaço verá um grande desfiladeiro e ele é o mesmo por onde o navio de Echos estava navegando. Eu não sabia onde ele chegaria...Se seria no mar aberto ou onde de fato chegou. Eu percebi que com a mudança sonora em Echos, o arlequim deixou o navio e escalou as montanhas, entrando em uma nova atmosfera, uma nova dimensão. Sentou lá e viu que não havia mais a questão se seria o mar aberto ou não, isso não era mais relevante. Esta é uma grande representação de como a música do Lacrimosa mudou, para esta evolução que ocorreu desde Echos.

Roadie Crew: Assim como em Sapphire, na faixa Lichtgestalt, você usa a sua voz de maneira bem agressiva em certas partes. Conte-nos sobre esta opção por algo mais áspero nestas músicas.

Tilo Wolff: É meio difícil de explicar, eu apenas senti isso. Isso me levou a concluir que deveria cantar as partes daquelas letras naquela forma. Na maioria das vezes, quando componho não penso, tento sentir. O mesmo pode ser aplicado aqui, não posso dar uma explicação exata a não ser que apenas senti.

Roadie Crew: Kelch der Liebe é muito bombástica, com poderosas orquestrações e linhas de guitarra. Num todo, a atmosfera dela me lembra a sonoridade da banda no álbum Elodia. Você concorda?

Tilo Wolff: Sim, de alguma maneira ele está conectada à musicalidade do Elodia. Isso também pode ser visto em Kelch der Liebe , deste novo álbum, e Ich Bin Der Brennende Komet, do Stolzes Herz...Elas possuem um certo atributo da musicalidade do Lacrimosa que eu acho muito importante e gosto de usar sempre. É uma parte da banda, como uma pessoa amigável que sempre volta! (risos)

Roadie Crew: Nachtschatten é uma das composições mais emotivas de toda a carreira do Lacrimosa! Qual é o significado desta música e os sentimentos nela envolvidos?

Tilo Wolff: É uma música muito especial, que fala do grande poder do desejo, sobre a infinita escuridão de quando você está tentando viajar com o seu coração e a sua mente para algum lugar, para alguma situação, ou para alguma pessoa, que você não poderia normalmente atingir com o seu corpo de onde você está no momento. Este é um tópico que já explorei algumas vezes, mas desta vez esse sentimento ficou mais forte e expressei isso com todo o meu coração. Como você mesmo disse, essa é uma das faixas mais emocionantes da carreira do Lacrimosa.

Roadie Crew: Você tirou da Bíblia Sagrada a letra Hohelied Der Liebe, a faixa que encerra o álbum. Qual é o seu relacionamento com o catolicismo e a igreja?

Tilo Wolff: Eu acredito em Deus, mas não sou católico e também não acredito que a Igreja sempre faça as melhores coisas para continuar a forma como Jesus queria. Mas, é claro, eu respeito as crenças de todos. Sou Cristão e esta crença em Deus é algo muito grande em toda a minha vida.

Roadie Crew: Hohelied der Liebe possui uma sonoridade que tende bastante para a Música Sacra, principalmente tendo em mente um Réquiem, como o consagrado Requiem do compositorWolfgang Amadeus Mozart. Esta faixa começa com orquestrações calmas, onde posteriormente é somada a sua voz e um coral angelical. Tão bela, porém tão sombria. Você tinha em mente um Réquiem quando a compôs?

Tilo Wolff: Não de fato, mas o Lacrimosa é inspirado desde o nome pelo Requiem de Mozart e sou um grande amante desta obra. Então, de alguma forma, sempre que componho meu trabalho, esta obra me influencia. Pois componho com a alma e o Requiem está muito de dentro de mim. De um jeito ou de outro, sempre acaba acontecendo. Porém, nesta música, não fui conscientemente inspirado por ele.

Roadie Crew: Como uma faixa oculta, o álbum possui uma versão em piano para The Party is Over, tão legal quanto a original! Como surgiu essa ideia?

Tilo Wolff: Isso aconteceu no estúdio, pois quando gravamos as partes para flauta e oboé eu tive que mostrar os tons para os instrumentistas. Só que eu não me lembrava bem e tive que me sentar ao piano para ter as notas novamente em mente. Então, fazendo isso, percebi que soava muito legal. Pensei nisso e tive a ideia de gravar essa versão. É claro que eu não queria mudar a versão original, então decidi colocar uma releitura como uma faixa oculta. É uma música extra para as pessoas mais atentas. Ela não é mencionada na capa porque eu queria que as pessoas comprassem o álbum e vissem apenas oito faixas e, quando percebessem essa nona ficassem positivamente surpresas. Se vissem oito faixas e uma nona como bônus, poderiam ficar desapontadas pelo fato de ser apenas uma versão da mesma composição. A forma como está é uma surpresa bem mais legal! (risos).

Roadie Crew: Em termos gerais, podemos facilmente mencionar Lichtgestalt como um dos melhores álbuns da carreira da banda. Qual é a sua opinião a este respeito e as expectativas para a aceitação do material?

Tilo Wolff: Eu fico muito feliz em saber que algumas pessoas pensam que este é um dos melhores álbuns do Lacrimosa. Para mim é o melhor, mas é uma opinião muito pessoal e muito próxima, já que estive trabalhando tanto tempo nele. Já conversei com muitas pessoas sobre ele e acho que os fãs vão gostar muito de Lichtgestalt, pois até agora não achei uma pessoa que não tenha gostado. Em segundo lugar, este álbum é puro e honesto e se uma pessoa aprecia algo na banda, certamente gostará do álbum, pois ele tem tudo que é positivo sobre o Lacrimosa.

Roadie Crew: Tendo o Gothminister como banda de abertura, o Lacrimosa começará uma turnê européia, e nela visitará Moscou (RUS) pela primeira. Creio que vocês estejam planejando algo muito especial para essa turnê de aniversário...Haverá alguma gravação dos shows e ou set lists especiais para a ocasião?

Tilo Wolff: Sim! Nos shows tocaremos músicas de casa um dos álbuns que já lançamos, então será a história dos 15 anos do Lacrimosa em duas horas e meia. Será muito especial! Nós gravaremos esta parte da turnê e, também, shows que faremos na América do Sul. Tudo será lançado no próximo ano em um DVD e um novo álbum ao vivo.

Roadie Crew: No ano passado (2004) você lançou Music for the Lost, o primeiro álbum do Snakeskin, seu projeto paralelo voltado para a música Eletrônica e Industrial. O que você pode dizer a respeito desta experiência?

Tilo Wolff: Basicamente o Snakeskin é o Lacrimosa em uma outra linguagem musical. Quando componho para o Lacrimosa, primeiro faço a letra, depois a música, no Snakeskin ocorre o oposto. Primeiro expresso meus sentimentos sem uma letra, colocando-os diretamente na música, e depois cuido das palavras. Este projeto expressa os meus sentimentos de uma forma diferente do Lacrimosa e ele serviu para eu ver o que aconteceria com a minha música se eu tirasse todas as raízes que tenho da minha banda principal. Acho que foi uma experiência muito boa! Eu amo o álbum! Também foi legal para que o Lacrimosa tivesse uma pausa e eu compusesse dessa forma, para depois voltar e compor no estilo normal. Acho que o Lichtgestalt não seria um álbum tão puro sem o Snakeskin.

Roadie Crew: Music for the Lost foi muito bem aceito pelos fãs. Então, você tem a intenção de trazer este projeto de volta depois dessa turnê com o Lacrimosa?

Tilo Wolff: Sim, sem dúvida! Eu ainda não sei se será logo depois da turnê, mas com certeza lançarei outro álbum do Snakeskin.

Roadie Crew: Falando um pouco a respeito da carreira do Lacrimosa, qual foi o ponto mais baixo e o mais alto que você teve nestes 15 anos de existência da banda?

Tilo Wolff: O ponto mais baixo foi depois do álbum Satura, em 1993, quando eu tive um bloqueio de escritor momentâneo. Naquela época eu percebi que se não pudesse compor, uma peça muito importante em minha vida estaria faltando e fiquei muito deprimido. Já o mais alto...Acho que o momento mais importante para o Lacrimosa foi quando eu, bem no começo, decidi não assinar com uma gravadora, mas sim começar a minha - a Hall of Sermon -, e ser completamente independente. Acho que a banda nunca poderia se desenvolver tanto no lado musical se houvesse uma gravadora ou "management" com o poder de tomar decisões em me dizer o que fazer.

Roadie Crew: Quais são os seus planos para depois da turnê de aniversário?

Tilo Wolff: Até agora os meus planos estão voltados para lançar um single para o álbum, ainda este ano, e um DVD com todos os videoclipes da banda, juntamente com um novo álbum ao vivo. Talvez, depois disso, eu dê uma pausa na banda e faça um novo álbum do Snakeskin.

Roadie Crew: Para finalizar, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros.

Tilo Wolff: Eu gostaria de agradecê-los mais uma vez por nos receberem tão bem na primeira vez que tocamos aí. Espero poder voltar logo ao país, ainda este ano, e acho que será ainda mais legal que da última vez!

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

December 13, 2014 at 5:06 PM Flag Quote & Reply

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Divas Dark - Entrevista com Anne Nurmi - 2004, © Orkus-Spezial, conteúdo da revista Orkus

 

Data: 2004

Tradução: Karina Pinotti

Fonte: Orkus

 

Orkus - Como você explica o fato de que, a maioria das vezes, o grupo de canções escritas por homens?

 

Anne Nurmi - Eu acho que muitas mulheres não têm coragem. Deve ser, muitos têm medo de ganhar experiência e ao mesmo tempo cometer um erro. Infelizmente, o negócio da música tem um monte de sabichões e machistas, e isso assusta muitos. Se a mulher não vai dar um hit competitivo, a única razão para isso é considerado só sua base.

 

Orkus - Qual é a sua opinião sobre as mulheres como "campo forte"?

 

Anne Nurmi - No que diz respeito às emoções, provavelmente é verdade. Mas você não pode generalizar assim!

 

- O preconceito típico que a mulher tem que lutar contra?

 

Anne Nurmi - É a mulher ousada? Ou as mulheres são suficiente talentosas? Uma mulher sempre será comparado com os homens, apesar de serem uma espécie de critério.

 

- Qual é a coisa mais estranha que aconteceu até hoje com você com fãs do sexo masculino?

 

Anne Nurmi - O que na vida pode ser considerado estranho e o que não é? É tudo uma questão de pontos de vista, e a maioria das pessoas tem ideias incomuns ...

 

- Em que situações você acha que as mulheres podem ser melhores do que os homens?

 

Anne Nurmi - Em questões sociais, na maioria dos casos, as mulheres são mais inteligentes e altruístas do que os homens. Além disso, no que diz respeito a exemplos de comportamento ou a relação sexual, as mulheres em b? não tão monótona, e, por conseguinte, elas são muitas vezes um pouco mais flexível do que os homens.

 

Orkus - Diz-se que as mulheres pensam sobre a competir umas com as outras muito mais do que os homens. O que você pensa sobre esta afirmação?

 

Anne Nurmi - É isso mesmo, como na vida profissional, por exemplo, no negócio da música, são menos mulheres. Esta é a conclusão lógica. Além disso, as mulheres muitas vezes colocam para elas metas muito altas como uma carreira profissional e vida pessoal, e que no futuro leva a uma luta particular.

 

Orkus - Como você lida com as condições sanitárias, por vezes terríveis durante a turnê?

 

Anne Nurmi - Na verdade, eles sempre cuidaram de mim para ter condições sanitárias / higiene adequadas. Eu ainda não entendo como algumas pessoas podem fazer pior.

 

Orkus - Como mulher, você tem mais atenção do que seus colegas de banda?

 

Anne Nurmi – Não sei, não devo ter prestado atenção.

 

Orkus - Como você reage no palco quando alguém grita: "Tire a roupa!"?

 

Anne Nurmi - Felizmente, o nosso público é inteligente o suficiente e a maioria deles não são tão primitivos para ficar gritando isso. Mas quando acontece, no entanto, há uma necessidade de ter calma e tomar isso como um elogio.

 

Orkus - O que você gosta nos homens?

 

Anne Nurmi – “inquieta”! E assim, que eles sejam fortes emocionalmente e tenha um senso de humor. Além disso, eu amo as boas maneiras, quando um homem é um verdadeiro cavalheiro.

 

Orkus - Em que situação você, pelo menos por um momento, de repente, queria se tornar um homem?

 

Anne Nurmi - Eu nunca quis. Eu gosto de ser mulher!

 

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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

July 1, 2015 at 9:02 PM Flag Quote & Reply

Karina Bruschi Pinotti
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ESSE CONTEUDO FOI TRANSFERIDO PARA O NOVO SITE DO FANCLUBE O FORUM DO LACRIMANIACOS PERMANECE E NOVOS CONTEUDOS SERAO POSTADOS LA Cadastre-se www.lacrimaniacosbrasil.com.br
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Karina Pinotti - Presidente Fan Clube Lacrimaniacos

September 14, 2017 at 7:26 PM Flag Quote & Reply

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